A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) trabalhou durante quatro dias na província de Malanje.
Segundo o membro da Fundação 27 de Maio Domingos Kiwato, a acção visou identificar e sensibilizar as famílias, a nível da província, que perderam parentes durante os conflitos políticos para fazerem o teste de DNA no Laboratório de Criminalística de Luanda. As amostras biológicas, continuou, vão permitir identificar ossadas pertencentes a familiares no conjunto de mais de 700 perfis humanos que se encontram sob cuidado da CIVICOP. Domingos Kiwato estimou que podem estar entre as ossadas comissários municipais e primeiros administradores que terão desaparecido em 1977, como, por exemplo, Domingos André de Azevedo, comissário da Quirima, Francisco José Silvestre, comissário do Quela, Agostinho José Pereira, comissário da Cangandala e Sebastião João José da Costa, comissário de Kiwába-Nzoji. Além destes, terão desaparecido outros em várias comunidades que compõem a província de Malanje. Domingos Kiwato fez saber que a delegação da CIVICOP em Malanje espera interagir com familiares destes e de outros cidadãos que tenham desaparecido na mesma altura para os exames de DNA. “Queremos colaborar com todas as forças vivas da província no sentido de ajudarem a identificar e localizar possíveis valas comuns, visto que Malanje foi uma das regiões mais afectadas”, apelou o membro da Fundação 27 de Maio, sublinhando que o Governo angolano, na pessoa do Presidente da República, “orientou-nos a contactar as famílias directamente”. Nekuman Silvestre, 49 anos, um dos três filhos do então comissário municipal do Quela, nasceu em 1977. O jovem mostra-se esperançoso na identificação dos restos mortais, para que o pai tenha um funeral condigno. “Francisco José Silvestre é meu pai. Qualquer familiar tem sempre esperança de ver o seu parente ser sepultados com dignidade”, realçou, tendo confessado: “eu e os meus irmãos, assim como toda a família, depois de 49 anos, ficámos com o coração dilacerado ao ver na televisão imagens e o nome do nosso pai”. Os membros da CIVICOP trabalham em Malanje para localizar lugares e identificar restos mortais de vítimas do 27 de Maio e outros conflitos políticos ocorridos no país entre 1975 e 2002 para fazer um sepultamento condigno. Neste sentido, foram agendados vários encontros com as comunidades e filiados da Fundação 27 de Maio nos municípios de Quirima, Quela, Kiwaba Nzonji e Cangandala.




