O Memorial em homenagem às 38 vítimas do massacre do Indungo deverá estar concluído até ao final do primeiro trimestre do próximo ano.
As obras de construção arrancaram em Setembro último na referida localidade, pertencente ao município do Cuvango, província da Huíla.
A infra-estrutura, com um prazo de execução de seis meses, é uma iniciativa da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) e visa preservar a memória histórica, homenagear os falecidos e reforçar os valores da reconciliação nacional e do respeito pela vida humana.
Na sequência da tragédia, ocorrida a 4 de Setembro de 1977, as 38 vítimas mortais haviam sido sepultadas numa vala comum.
No âmbito das acções da CIVICOP, as ossadas foram identificadas e exumadas em 2025, permitindo finalmente aos familiares a realização de funerais condignos, várias décadas após o sucedido.
Matias Cambinda, de 69 anos, um dos sobreviventes do massacre, manifestou satisfação com o projecto e considerou a obra um gesto de profundo reconhecimento e justiça para com as famílias afectadas.
O espaço, segundo Matias Cambinda, promoverá a reflexão comunitária sobre as consequências do conflito.
“Quando aconteceu o massacre, procurámos defender a nossa aldeia com catanas, flechas e porrinhos, mas, para nossa surpresa, o inimigo vinha munido de armas automáticas. Infelizmente, muitos de nós perderam a vida e, hoje, esperamos que a sua memória seja eternizada”, recordou o sobrevivente sobre o ataque ocorrido a cerca de 45 quilómetros da sede municipal do Cuvango.
O grupo de vítimas mortais era composto maioritariamente por camponeses locais, incluindo crianças. Diante do avanço das forças da UNITA (as extintas FALA), a comunidade tentou proteger a sua aldeia recorrendo a meios rudimentares, como catanas, flechas e porrinhos. No entanto, foram brutalmente subjugados por armamento militar automático.




