Igreja Católica observa com inquietação agravamento da pobreza, diz Dom Manuel Imbamba

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) disse esta quarta-feira, 17, que mostra-se preocupada com o agravamento da pobreza, assinalando que tumultos de Julho passado durante a greve dos taxistas, “revelaram aquilo que denominou por “buracos sociais, familiares e institucionais profundos”.
O Presidente da CEAST, Dom José Manuel Imbamba, disse que “não se pode fechar os olhos à realidade do país, marcada, simultaneamente, por avanços significativos e retrocessos preocupantes”, sinalizando que apesar das conquistas louváveis que foram alcançadas, é com inquietação que a Igreja Católica observa a persistência e até o agravamento da pobreza entre as famílias angolanas, um flagelo que fere profundamente a dignidade de muitos dos nossos concidadãos”.
As declarações foram feitas durante a abertura da IIª Assembleia Plenária da CEAST, que decorre até segunda-feira, dia 22, no Santuário da Muxima, Diocese de Viana.
Para o arcebispo de Saurimo, a pobreza em Angola, “infelizmente, não é apenas material”, mas “é também sobretudo, social, política, cívica, cultural e espiritual, minando a confiança nas instituições e no futuro”.
O prelado católico referiu igualmente que a sociedade angolana, maioritariamente jovem, é marcada por um “acentuado estado de ansiedade, medo, incerteza e frustração”.
No que toca a realidade sociopolítica e económica do país, Dom José Manuel Imbamba, apelou à instauração, de uma nova cultura social e política, baseada na ética, na solidariedade efectiva e na responsabilidade partilhada.
O Presidente da CEAST observou, contudo, que, para isso, são necessárias “reformas profundas no aparelho do Estado, que deve estar exclusivamente ao serviço da cidadania e da prossecução do bem comum para a felicidade e dignificação de todos”.
A Rádio Correio da Kianda apurou que constam da agenda de trabalhos desta assembleia dos bispos católicos, o Congresso Nacional da Reconciliação pelo Jubileu dos 50 anos de Independência de Angola, agendado para Outubro próximo, e o processo de criação de novas dioceses.



