Uma tradição pode sobreviver durante séculos, mas também pode desaparecer quando deixa de ser transmitida. Entre os Katalekos, grupo cultural criado há mais de três décadas, no Lubango, por naturais da Humpata, a dança, os rituais, os trajes e os instrumentos tradicionais transformaram-se numa forma de preservar a memória dos antepassados e aproximar as novas gerações das referências culturais da comunidade.
Criados a 4 de Fevereiro de 1996, no bairro Comandante N’zangi, por naturais da comuna do Tchivinguiro, município da Humpata, residentes no Lubango, os Katalekos mantêm-se activos há três décadas, e mesmo com dificuldades financeiras continuam a participar em actividades ao nível nacional e internacional.
Hoje, com 20 integrantes, os Katalekos têm, na dança e nos rituais tradicionais, as principais formas de apresentação da herança cultural recebida dos antepassados, participando em casamentos, pedidos tradicionais, cerimónias familiares e noutras actividades culturais.
Através das suas apresentações, os Katalekosprojectam a cultura Nyaneka-Nkumbi para além das fronteiras da Huíla e de Angola. A música e a dança desempenham, igualmente, uma função de transmissão de conhecimentos e valores, sendo acompanhadas por instrumentos tradicionais como tambores, marimbas e flautas, além de trajes e adereços que integram as manifestações culturais.
Para a antropóloga Maria Marcelina Gomes, os elementos apresentados pelos Katalekos não devem ser vistos apenas como entretenimento, uma vez que os movimentos, trajes, instrumentos e rituais possuem significados próprios e ajudam a conservar símbolos, valores e conhecimentos transmitidos entre gerações.
A especialista considera a formação uma referência da diversidade cultural nacional, pelo contributo na preservação e transmissão de hábitos, costumes e manifestações ancestrais das comunidades da Huíla.
Maria Marcelina Gomes defende que os jovens devem conhecer e valorizar as tradições dos seus antepassados, por serem importantes para o reforço da identidade cultural e do sentimento de pertença.
A investigadora defende, também, maior valorização das formações tradicionais e a criação de oportunidades para que possam apresentar as suas manifestações noutras províncias e fora do país.
Ao longo dos últimos 30 anos, os Katalekos levaram as suas manifestações culturais a diferentes pontos de Angola, participando em actividades realizadas no Cunene, Namibe, Luanda, Bengo, entre outras localidades.
Para o responsável do grupo, António Cristiano Mulombe “Toninho”, as deslocações representam oportunidades de divulgação da cultura nyaneka e da diversidade cultural da Huíla, permitindo ao grupo apresentar as suas manifestações a públicos de diferentes regiões do país.
A formação pretende, agora, levar essa experiência para além das fronteiras nacionais. Portugal, Itália, Namíbia, África do Sul estão, entre os países apontados por Toninho como possíveis destinos para futuras apresentações.




